sábado, 7 de maio de 2011

Qualquer música

Não tem nada que expresse melhor os sentimentos do que os sons produzidos pelo coração. O tum tá, tum tá, tum tá do coração vai se misturando aos sons externos que percebemos em toda natureza ou até nestas selvas de pedras em que hoje nos escondemos.
Pássaros produzem música. O vento soprando por entre árvores produz música. Os saltos de um calçado feminino desfilando pela calçada produz música. Os carros com suas businas e derrapagens nas avenidas produzem música. O apito do trem ao longe, a sirene da polícia, o martelar dos pregos na construção, o choro de crianças recém nascidas, a briga de gatos no telhado de telhas francesas, a chuva que cai sobre os paralelepípedos… Tudo, tudo produz música e a percepção toda depende de nós, da nossa sensibilidade e fazer destes pequenos sinais uma sinfonia é mera questão de vontade.

Fernando Pessoa, em 1927, já dizia:
QUALQUER MÚSICA
Qualquer música, ah, qualquer
Logo que me tire da alma
Esta incerteza que quer
Qualquer impossível calma.

Qualquer música – guitarra
Viola, harmônio, realejo…
Um canto que se desgarra…
Um sonho em que nada vejo…

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